terça-feira, 3 de agosto de 2010

RELATO COMOVENTE DE UMA MÃE SOFRIDA

A Sra. Maria das Neves Rocha procura a Coordenação do Projovem Urbano no Colégio Estadual ontem à noite; me indicam para atender sua solicitação de uma declaração de que seu filho Daniel Rocha Miranda estudava no Projovem. Maria das Neves é uma mulher de meia idade e no seu rosto são visíveis as marcas do sofrimento de ter visto um seu filho assassinar a facadas um seu outro filho. Sem que eu lhe solicite ela começa a narrar como aconteceu tudo. Os professores a cercam e ouvimos tudo chocados. "Daniel matou o irmão para não morrer". Tenho acompanhado o caso pela mídia local, principalmente pelos portais e vendo a foto do rapaz, me lembro de ter cruzado com ele pelos corredores do colégio. "Daniel era um rapaz tranquilo, todo mundo gostava dele...", afirma a mãe. Alguns professores dizem a mesma coisa. "Era um rapaz calmo e quieto". Eu fico com a pergunta na cabeça:o que pode levar um rapaz tranquilo e calmo a matar um irmão com sete facadas, dentro de casa, sob as vistas da mãe?

5 comentários:

  1. Na bíblia diz que Caim matou o irmão Abel por inveja, este teria sido o primeiro homicídio da história da humanidade, briga em família com desfecho trágico, o que vem na minha mente é essa mãe Maria das Neves (Maria mãe de Jesus) com uma espada atravessada no coração, dessa mãe com o filho chagado e morto nos seus braços, só as forças dos céus para confortar essa mãe, amém.

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  2. Amigo Horácio, se eu já não tivesse visto coisas piores do que isso, ficaria impressionado... mas o máximo que consegui foi ficar a noite todinha sonhando como dividir essa história com vocês...

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  3. Que Deus abrande o sofrimento desta mãe e lhe dê muita força para superar este momento de dor, pois, penso que ela acabou de perder não um filho, mas sim, dois!
    O primeiro, perdeu pela tragédia.
    O segundo, para o sistema prisional que não recupera ninguém, pelo contrário, muitas vezes saem de lá pior do que entraram, mas, isso é outra questão!
    Me somo à vocês nesta corrente de forças, para abrandar o coração desta mãe!

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  4. Amigo Zan, eu imagino a sua tristeza ao ouvir o relato dessa mãe e ela vai passar o resto da sua vida se questionando o porquê daquilo independente de quantos filhos ela tenha e que um simples sorriso pode iluminar seu dia.

    Rousseau, no século XVIII, falava que era preciso formar o homem sensível para que ele pudesse ser racional.

    "Que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto, do filho que já morreu" versos do Chico Buarque na música "Pedaços de Mim" é de arrepiar.

    Um abraço e que hoje vc realize um dos seus projetos.

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  5. A gente tá vivendo num mundo onde a banalização da violência nos alcança por onde a gente vai e tudo o que aconteceu com essa senhora, a tragédia dela vendo um filho matar o outro, se repete a cada momento nesse país e quem mora nas grandes cidades meio que não se toca mais com esse tipo de coisa, mãe matando filho, filho matando mãe... diz-se que ocorrem diariamente no país mais de cem homicídios por dia... Aqui em Campo Maior onde tudo repercute no cotidiano da gente, saber dessas morte que ocorrem regularmente nos últimos tempos, pelo menos uma vez ou duas por mês, ja não me assusta tanto quanto as mortes que eu via em Brasília pela midia e eu não sabia quem era ou outros detalhes... aqui a midia se alimenta de expor isso de uma forma totalmente escandalosa, é impossível a gente não se envolver... Confesso que ouvi o relato da mãe sem me comover, porque a mãe meio que já devia estar passada pelo sofrimento de sua tragédia e ela já devia ter contado aquilo mais de uma dezena de vezes, na ocasião não caiu uma lágrima das muitas que já tinham caído antes... Confesso minha covardia diante do sofrimento humano e faço qualquer coisa pra não sofrer mais com a tragédia humana do que posso suportar...

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