sábado, 26 de setembro de 2009

O MEMORIAL FRANCISCO PEREIRA DA SILVA AMEAÇA DECOLAR...


Pelo calibre das personalidades que tomaram a si o dever de batalhar pela criação do Memorial Francisco Pereira da Silva, caso dos ilustres Dr. Domingos José e do brilhante presidente da Academia Campomaiorense de Artes e Letras (ACALE), João Alves Filho, a coisa agora pode tomar um rumo diferente do que andava meio titubeante. A propósito, escrevi artigo para o jornal Destak que deve sair aqui esta semana, provocando o meu amigo dileto João Alves Filho e chamando-o à responsabilidade com relação ao Memorial. Fui até meio rude e grosseiro com ele, mas isso fica por conta da amizade de décadas que cultivo com ele. Ontem participei de solenidade acontecida na Unidade Educacional Monsenhor Mateus, onde fiz breve palestra sobre Francisco Pereira da Silva e João Alves e Dr. Domingos José estavam lá e me garantiram o empenho em torno da criação do Memorial (que já existe na forma de Lei desde 2005) Se for formada uma comissão de alto nível para ir à Presidente da Fundação Cultural da Secretaria de Educação e Cultura, do governo do Estado do Piauí, a coisa anda... A arte que ilustra a matéria, é do Netto.

E PARA CONHECER MAIS FRANCISCO PEREIRA DA SILVA...

FRANCISCO PEREIRA DA SILVA, VIDA E OBRA

Aci Campelo e F. M. Moura

UM SONHO DE MAGIA E BELEZA

Um dos últimos sonhos do dramaturgo piauiense Francisco Pereira da Silva foi o de criar em Teresina um Teatro Popular Navegante, um teatro aquático “um espaço sobre as águas”, como ele dizia, ou seja, um espaço teatral fincado sobre dois botes, unidos por um tablado, que sairia pelas margens do Rio Poty, por ter a vantagem de ser um rio de águas tranqüilas. E, o rio estando a leste, o sol das cinco horas da tarde, horário dos espetáculos, iria incidir nas suas águas, iluminando palco e atores. No Teatro Navegante seriam encenadas peças brasileiras e estrangeiras, autores nordestinos em especial, e ainda, shows de música eruditos e populares e espetáculos folclóricos, expressão da gente piauiense. O Projeto Rio Poty – Um Teatro Popular Navegante, chegou a ser escrito, mas não passou do papel. Um sonho de magia e beleza. ENSAIO BIOGRÁFICO Francisco Pereira da Silva nasceu no dia 11 de agosto de 1918, na cidade de Campo Maior, no Estado do Piauí. Era filho de Isaías Pereira e Antônia Marques, e tinha uma irmã, Nazaré de Odylo Costa, filho, honrada viúva de Odylo Costa, filho, grande poeta e escritor brasileiro. Quando o menino Chico veio ao mundo, a cidade de Campo Maior não passava de uma paisagem de imensos carnaubais, tendo época em que as chuvas transformavam os vastos campos numa abundância de águas e noites de frio. Ele passou a infância e parte da juventude em sua cidade, e aprendeu a conviver com as mudanças do tempo, uma alternância entre estiagem e inverno, quando aprendia e guardava na lembrança uma infinidade de histórias de vaqueiros, homens simples e rudes, principal esteio em que se apoiava uma leva de pais de famílias de sua nunca esquecida Campo Maior. As lembranças e fatos vividos por ele iriam aparecer tempos depois nos enredos de suas peças, com uma pujança e um frescor inesquecíveis. Para continuar os estudos, mudou-se para Teresina, onde fez o ginásio no Liceu Piauiense. Depois viajou para São Luís do Maranhão, onde iniciou os estudos clássicos. No começo da década de quarenta, Francisco Pereira toma o rumo do Rio de Janeiro, terminando o Clássico no Colégio Pedro II. Prosseguindo em sua formação, ele fez até o terceiro ano da Faculdade Nacional de Direito. No Rio de Janeiro, morou com dois conterrâneos de grande expressão artística nacional, o pintor, figurinista e cenógrafo Sansão Castelo Branco e Anísio Medeiros, desenhista, figurinista e cenógrafo, premiado em teatro nacionalmente com os prêmios Molière e Mambembe, futuro cenógrafo de peças de Francisco Pereira da Silva e um de seus maiores amigos. Quando deixou a Faculdade Nacional de Direito, determinado a permanecer no Rio de Janeiro, Francisco Pereira fez o curso de Biblioteconomia e foi nomeado para o cargo de bibliotecário na Biblioteca Nacional, o ano era o de 1944. Em seu trabalho, e com a grande disciplina que lhe era peculiar, passou a se alimentar de todos os clássicos da literatura universal. Daí foi um passo para enveredar pela literatura fazendo contos que foram publicados em revistas e suplementos literários de jornais do sul do país. Neste sentido, fez parte da uma antologia de contos organizada pelo escritor Graciliano Ramos. No Piauí, tem contos seus publicados pelo poeta e crítico literário Francisco Miguel de Moura, também numa antologia denominada “Piauí: Terra, História e Literatura”. A descoberta e a paixão pelo teatro veio com a leitura da obra de Frederico Garcia Lorca, o grande poeta e dramaturgo espanhol, vítima da brutal violência franquista. De Garcia Lorca ele admirava o intenso lirismo e a poesia inspirada em base popular. O escritor espanhol iria influenciá-lo no seu teatro de cunho popular e social. A primeira peça teatral de Francisco Pereira da Silva foi “Viagem”, escrita em 1946, ainda inédita como encenação. O texto foi inspirado em suas leituras de Lorca. Em 1948, Francisco Pereira da Silva escreveu sua grande peça de teatro “Lázaro”, baseada em “Electra”, do grego Sófocles, transposta para o Nordeste brasileiro. Naquele período, dominava a cena do teatro amador brasileiro a força e a perseverança do grande Paschoal Carlos Magno, o criador do Teatro do Estudante do Brasil. Paschoal fez de sua casa, no bairro de Santa Teresa, na rua Hermenegildo de Barros, o Teatro Duse. Foi desse teatrinho que saíram verdadeiros talentos da dramaturgia brasileira, como Ariano Suassuna, Luís Marinho e tantos outros. Francisco Pereira submeteu-se ao concurso de textos promovido por Paschoal, que fazia “de um tudo”, desde a inscrição do candidato à escolha do premiado, e ganhou o prêmio de autor revelação daquele ano com sua peça “Lázaro”, dado pelo Círculo Independente de Autores Teatrais. Paschoal Carlos Magno tratou de fazer a publicidade do novo talento descoberto por ele, na sua coluna sobre teatro no Jornal “Correio da Manhã”, do Rio de Janeiro. A peça teve estréia no ano de 1952, no próprio Teatro Duce.

PEÇAS ENCENADAS

Tendo estreado no mundo do teatro, e já fortalecido com um prêmio, Francisco Pereira da Silva passou a colaborar na imprensa com uma coluna de crítica teatral no Jornal “Diário Carioca”, convivendo com grandes nomes da imprensa da época. Prosseguindo no seu ofício de dramaturgo, escreveu os textos “Caso do Chapéu”, adaptado do conto de Machado de Assis, “Capítulo dos Chapéus” e “Memórias de Um Sargento de Milícias”, do romance do mesmo nome de Manuel Antônio de Almeida. Ele enfrentou o palco novamente em março de 1960, quando estreou a peça “Romance do Vilela”, no Teatro da Maison de France, pelo Studio 53, dirigida por Carlos Murtinho. A peça foi baseada na lenda sertaneja “Cantiga do Vilela”, e a ação se passava numa cidade do Nordeste. Mas foi com “Cristo Proclamado”, escrita em 1958, que ele praticamente iniciou sua obra autoral, para o que tinha se preparado com toda paciência e humildade. A peça estreou no Teatro Copacabana, pelo Teatro dos Sete - Companhia Fernanda Montenegro, em agosto de 1960, com direção e cenário do genial homem de teatro Gianni Rato, tendo no elenco, entre outros atores, Ítalo Rossi, José Wilker, Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Francisco Cuoco, Zilka Salaberry e Maria Gladys, todos artistas primorosos, alguns obviamente em início de carreira. A estréia foi feita com o teatro lotado de pessoas da mais alta sociedade carioca. “Cristo Proclamado” conta as proezas do personagem Demóstenes de Albuquerque, por alcunha Pintassilgo, um artista de circo que voltou para sua terra natal, Guaxinim, e passou a montar uma via sacra na cidade todos os anos. O texto aproveita para discutir a seca nordestina, a miséria de retirantes se amontoando na cidade à procura de comida e a politicalha do interior. O cristo proclamado da história é o personagem Morais, assassinado quando fazia o papel de Cristo na via sacra do Pintassilgo, numa trama dos coronéis do lugar. Se o texto trazia uma expressão própria, onde o autor começou a transfigurar os sofrimentos do povo de sua região e onde os conflitos familiares se mesclavam a elementos da comédia doméstica com preocupação de cunho social, foi exatamente essa temática que não agradou ao público carioca, que certamente não estava decidido nem acostumado ao debate de tanto sofrimento, nem muito menos de gente relegado ao deus-dará. Portanto, a peça não passou de duas semanas em cartaz. No entanto, deixou uma certeza e uma marca cristalina: a de que Francisco Pereira da Silva tinha caído nas graças das crítica. Seguiram-se, na carreira do dramaturgo, as seguintes peças: “O Desejado”; “Chapéu-de-Sebo” e “O Vaso Suspirado”, de 1963. “O Desejado” o autor dedicou à escritora Raquel de Queiroz, que considerou numa apresentação feita sobre o texto, juntamente com “Romance do Vilela”, pertencer ao que ela chamou de “o ciclo do boi”. Isto por que as peças tinham influências da cultura popular nordestina, principalmente em “O Desejado”, quando ele usou colagem do romanceiro de cordel, como a “A História do Boi Misterioso”, de Leandro Gomes de Barros, e “O Boi Mandingueiro”, de Bernardo da Silva. Em “O Desejado”, o autor coloca como dedicatória uma letra muito conhecida dos piauienses: “O meu boi morreu / Que será de mim / Vamos buscar outro maninha...” A farsa “O Vaso Suspirado” é tida pela crítica teatral como uma pequena obra prima. A peça conta a história de um bispo que foi designado para servir numa cidadezinha do interior. Então, as beatas que lhe serviam ficam brigando para ver quem conseguia ficar com a melhor herança do senhor bispo. Brigam tanto que até disputam o penico de louça do bispo, terminando por quebrarem o objeto. As beatas ficam horrorizadas com o fato. O venerando bispo pega os pedaços do penico e tenta o milagre de emendá-lo, e o milagre se torna realidade. A peça teve uma montagem de alto nível feita pelo Grupo Harém de Teatro, do Piauí, dirigida por Arimatan Martins, apresentada no Teatro 4 de Setembro, onde estreou em 1997. Da fase mais forte relacionada à temática nordestina, o texto mais importante, senão o mais famoso de toda a dramaturgia de Francisco Pereira da Silva, é a peça “Chapéu-de-Sebo”. O próprio autor colocou que o enredo da peça foi inspirado em um caso verídico acontecido na década de 20 na cidade de Campo Maior, sua terra natal. A história é simples: um jovem vaqueiro mata sua mulher que teria sido seduzida por coronéis da região e depois o seu crime é usado politicamente de todas as formas. É a peça com o maior número montagens do autor e a de maior sucesso de sua carreira. Seu valor ultrapassou as fronteiras do país, sendo traduzida para o alemão numa antologia de cinco autores do moderno teatro brasileiro. Montada por companhia de teatro alemão, foi representada em Berlim, na Tchecoslováquia e Finlândia, permanecendo em cartaz por muito tempo. “Chapéu-de-Sebo” virou filme nacional, no ano de 1983, com o título de “Amor e Traição”, dirigido pelo cineasta Pedro Camargo, com roteiro do próprio Francisco Pereira da Silva. No elenco estavam estrelas do cinema brasileiro, como Jofre Soares, Nelson Xavier, Ítala Nandi e Cláudia Ohana. No Piauí, a peça teve uma montagem do Grupo TEU, da Universidade Federal do Piauí, dirigida por Chico Filho, no ano de 1999. Deram prosseguimento à obra de Francisco Pereira da Silva as peças “Uma Carga de Laranja”; “A Nova Helena”; “Chão dos Penitentes”; “Raimunda, Raimunda”; “Reino do Mar Sem Fim” e “A Caça e o Caçador”, todas elas produzidas e apresentadas por diversos grupos ou companhias de teatro nacionais. “Chão dos Penitentes” foi escrita em 1964 e levada à cena pelo Teatro Jovem, do Rio de Janeiro, em 1965, com direção de Kleber Santos, cenários e figurinos de Anísio Medeiros, tendo no elenco nomes, como Oswaldo Louzada, Vanda Lacerda, Thelma Reston e José Wilker. A peça narra a história de Padre Cícero Romão Batista, usando o cancioneiro popular do Nordeste, com trechos de cordel dos autores Cego Aderaldo, José Bernardo da Silva, João Mendes de Oliveira e João José da Silva. “Chão dos Penitentes” é a terra comandada por um beato chamado José Lourenço, apoiado pelo Padre Cícero, onde os penitentes e o próprio beato terminam sendo mortos por forças públicas policiais. A tetralogia “Raimunda, Raimunda”, escrita em 1972, e oferecida à atriz Fernanda Montenegro, foi levada à cena no mesmo ano no Teatro Gláucio Gil, no Rio de Janeiro, pelo Grupo Teatro Vivo, com direção de Paulo Afonso Grisolli; cenários e figurinos de Hélio Eichbauer, tendo no elenco, entre outros, Rubens de Falco, Maria Fernanda, Hector Grillo, Paulo Padilha e Hélio Ary. “Raimunda, Raimunda” é composta dos seguintes textos: “Raimunda Jovita na Roleta da Vida ou Quis o Destino: De Pucella e Ninon!”; “O Trágico Destino de Duas Raimundas ou Os Dois Amores de Lampião Antes de Maria Bonita e Só Agora Revelados”; “Raimunda Pinto, Sim Senhor” e “Ramanda e Rudá”. Todos os episódios da peça, ainda que tenham um fio condutor, podem ser montados separadamente sem que haja nenhum prejuízo à dramaturgia. “Raimunda, Raimunda” sedimentou o gosto e o prazer da crítica pela obra de Francisco Pereira da Silva, não só pelo apuro técnico na carpintaria teatral mas também pelo uso de uma linguagem ágil, de fino humor e densidade dramática. Dois episódios da peça dão a dimensão do talento do autor –“Raimunda Jovita na Roleta da Vida” e “Raimunda Pinto, Sim Senhor!”. No primeiro, ele conta a trajetória de Antônia Alves Feitosa, cognominada de Jovita, nascida em Brejo Seco, Inhamuns, no Ceará, que depois da morte da mãe, residiu em Jaicós, no Piauí. Jovita Feitosa, ao saber que estavam constituindo batalhões de voluntários da pátria para a guerra do Paraguai, se veste de vaqueiro e atravessa a pé mais de setenta léguas, chegando a Teresina em julho de 1863, para se alistar como soldado. O Presidente da Província lhe dá a divisa de segundo sargento do 2º Corpo Piauiense de Voluntários da Pátria. Em agosto daquele ano ela embarca com o batalhão para o Rio de Janeiro e, como heroína, foi festejada em São Luís, na Paraíba e em Recife. Mas Jovita não conseguiu ir para a guerra, e terminou se suicidando. Em primeiro lugar, por que foi impedida de ir ao Paraguai e, em segundo, por que seu amante, o engenheiro inglês Guilherme Noot, abandonou Jovita e regressou para a Inglaterra.

OBRAS PUBLICADAS E INÉDITAS

O autor tem as seguintes peças publicadas pela Editora Agir, dentro da coleção “Teatro Moderno”: § “Chapéu-de-Sebo”, prefácio de Francisco de Assis Barbosa; § “Cristo Proclamado” e “O Chão dos Penitentes”, com prefácio de Francisco de Assis Barbosa; e, § O Desejado” e “Romance do Vilela”, com prefácio de Raquel de Queiroz. Fora da coleção, “Reino do Mar Sem Fim” foi publicada como encarte da revista “Cirandinha”, nº 3, editada por Francisco Miguel de Moura, em setembro de 1978. Para completar sua obra, o autor deixou inéditas as peças “Graça e Desgraça na Casa do Engole Cobra”, “Hans Staden no País da Antropologia” e “Amor por Amor que é Liberdade”. Escreveu também um romance ao qual deu o título de “Revocata” e uma coleção de contos denominada “O Gregório e Dona Mariana”, que ficaram sem publicação.

TEXTOS

A história de Raimunda Jovita, magistralmente transposta para o palco por Francisco Pereira da Silva, termina num final apoteótico em ritmo de melodrama, no qual ele chamou de “escamotear a sagrada história”, porque Jovita é quem termina cravando um punhal no peito do poeta Rangel, quando este descobre que ela iria cometer suicídio. A cena é admirável:

RAIMUNDA – (Envolvendo-se no lençol, mas mantendo ainda o punhal na mão, a apontar-lhe o coração) Não adianta, Rangel, não acredito. Eu sei, Rangel, que você é festejado literato. Mas eu não gosto de leros. Prefiro a cova rasa a leros, Rangel. Sacou? E pronto, fim de papo.

RANGEL – Que pureza! A gentil corsa dos ínvios sertões de minha terra! Que desprendimento comovente: “a cova rasa e pronto!”. Não, gentil Jovita, não! Um melodrama nunca é demais! Enfeitemos! “Oh, não foi a pátria, eu me retrato / a pátria compreendeu quanto valia / Jovita de Inhamuns glória primeira / que de tudo apesar resplandecia”.

RAIMUNDA – Pô, corta esta, poeta. Tá me grilando a cuca. Te arranca! (Raimunda, enrolada no lençol, cai no chão. Rangel, com o pé em cima do corpo de Raimunda, retira do bolso um imenso lenço preto.)

RANGEL – “Brasil, o teu cocal cinge de crepe, mais um herói morreu – morreu Jovita!”

RAIMUNDA – (Levantando-se) Rangel, meu bem, se você quer berrar, berre ... Vem cá... Sonhemos. Você, um paraguaio, e eu, a guerreira de Inhamuns. Eu, cruzando o fogo inimigo, salto no teu pescoço, (Salta no pescoço de Rangel e lhe crava o punhal) e te dou uma estocada e bumba!

RANGEL – Jovita, mas isto não é absolutamente histórico! Assim, seria escamotear a sagrada história. Mas, se te apetece a ficção, representemos. Veja, estou cambaleante! (Cai).

RAIMUNDA – Pique! Uma bela bolha de sabão doirada! Pique! Uma vingança aos necrológios. Brasil, o teu cocal cinge de crepe, mais um herói morreu – morreu Rangel! “Raimunda Pinto, Sim Senhor!” é um épico sertanejo, em que o autor narra a história de uma negra de lábios leporinos, pobre e miserável, nascida no Ceará. Ela se descobre rejeitada por todos por causa do grave defeito, e resolve partir de sua terra natal para o Rio de Janeiro, onde pretende estudar para enfermeira na Escola Ana Neri, e naturalmente, fazer plástica nos lábios. Num clima de farsa tragicômica, Raimunda Pinto perambula pelas estradas do Brasil até chegar ao seu destino. Passa no concurso da Escola Ana Neri mas é reprovada nos exames de saúde. Então, resolve falar com o presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, para denunciar tamanha injustiça. O presidente está atarefado, pois o país vive o clima pleno da 2ª guerra mundial, mas Raimunda não desiste e se planta em frente ao Palácio. O diálogo de Raimunda com Gregório Fortunato, guarda-costas de Getúlio, tentando uma audiência com o presidente, é encantador:

RAIMUNDA – Pois daqui não saio nem que você queira, viu? (Chora) Desgraçados... Passei no vestibular de enfermeira e quando acaba fui cortada no exame médico. Me vali de tudo que foi santo e do meu São Francisco das Chagas de Canindé! Uma injustiça! E sabe o que os descarados disseram? Que eu voltasse pro meu Ceará, que fosse fazer bordado e renda. Tá vendo? Se conselho fosse bom ninguém andava dando. E é essa injustiça que eu quero denunciar a Getúlio.

GREGÓRIO – Pois não vai poder ser.

RAIMUNDA – (Berreiro) Ai, ai!... GREGÓRIO – Cala o berreiro, ô china desesperada!

RAIMUNDA – Me leve, seu Gregório, me leve. Ai, ai, ai...

GREGÓRIO – Desgramuda. E, inda por cima, fanhosa. Diabo de choro mais feio. Cala a boca!

RAIMUNDA – Não calo, não calo, não calo! (Gregório segura Raimunda pelo braço. Esta grita mais alto. Entra Getúlio)

GETÚLIO – O que é isto, gente?

GREGÓRIO – Presidente, atenda esta cearense, porque ou ela acaba me matando ou em acabo matando ela. Faz um mês que a china bate aqui todo dia, me azucrinando os ouvidos.

GETÚLIO – (Com doçura, alisando os cabelos de Raimunda) Meu bem, você está matriculada. Mas, antes, dê uma passada no Hospital dos Servidores, que é para acabar com este defeitinho. Tá? Raimunda Pinto se opera dos lábios leporinos, vira madame e termina viajando para os Estados Unidos com um senador americano, de onde viaja para o Japão e é testemunha da tragédia de Hiroshima. É um texto vigoroso mas cheio de sutilezas, e com grandes possibilidades cênicas.

CRÍTICA Na peça “Reino do Mar Sem Fim”, Francisco Pereira da Silva foge um pouco à sua temática habitual e enfoca uma história inspirada em um fato real, um teatro-reportagem. Ele conta a história de um barqueiro, pescador da Bahia, que nunca trazia para casa o sustento da família. O pescador termina se envolvendo com o candomblé e fica obcecado por Iemanjá. Com a finalidade de trazer fartura para casa, leva sua filha adolescente para o alto mar e entrega-a a Iemanjá, jogando a menina em águas densas. Esse texto foi produzido e dirigido por Tarciso Prado, em Teresina, dentro da “II Mostra de Teatro Amador do Piauí”, no ano de 1978. Com “Reino do Mar Sem Fim”, o diretor e ator piauiense, amigo particular de Francisco Pereira, iniciou a tarefa de mostrar a obra do dramaturgo até então desconhecida no Estado do Piauí, sua terra-berço. A amizade de Tarciso Prado com Chico Pereira da Silva possibilitou sua vinda a Teresina e a discussão de muitos projetos e propostas para o teatro piauiense, infelizmente não concretizados. “A Caça e o Caçador” foi uma peça premiada pelo antigo STN – Serviço Nacional de Teatro, em concurso de dramaturgia. O texto trazia um novo enfoque à escrita do autor, diferente de outros temas discutidos. Escrita em dois atos, o primeiro baseado no conto “A Faca e o Rio”, de Odylo Costa, filho, a história tratava de um crime passional onde pescadores, ambulantes, comerciantes e pessoas ricas se envolvem numa trama de traição e morte vivida por um casal. A peça permaneceu inédita por alguns anos, até ter duas montagens pela Comédia Cearense. A primeira, no ano de 1977, quando foi inaugurado o Teatro de Arena, da Credimus, e a segunda, na inauguração do Teatro Móvel, as duas em Fortaleza, Ceará, ambas dirigidas por Haroldo Serra, tendo no elenco atores de renome, naquele Estado, como Hiramisa Serra, B. de Paiva, Ricardo Guilherme, Lourinha Falcão e Walden Luiz. Francisco Pereira da Silva foi um autor de teatro amado e festejado pela crítica, mas distante do público, que não soube acolher suas peças com o mesmo entusiasmo. Tratando quase sempre de temas referentes à região Nordeste, quando não à sua própria terra, ainda que tivessem elementos de alcance universal, suas peças montadas não atingiram o gosto dos espectadores à época das montagens. Esse divórcio entre o dramaturgo e o público talvez esteja exatamente na sua dramaturgia, escrita impecavelmente na hora certa, mas dirigida a um público errado: a sociedade carioca, hostil ao universo sofrido da região Nordeste, onde o autor buscou sua inspiração. Francisco Pereira da Silva deixou de escrever muito cedo, cada vez mais se voltando para si mesmo no cumprimento de seus afazeres como funcionário público, até aposentar-se. A coluna sobre teatro que ele fazia no jornal “Diário Carioca" foi passada para Paulo Francis, indicado diretamente por ele, para substituí-lo. Esse gesto deixaria uma profunda gratidão do grande jornalista brasileiro para com Chico Pereira da Silva. Sabendo, como poucos, suportar as adversidades de seu ofício e nunca reclamando de injustiças cometidas contra ele, viveu numa grandeza inigualável. Francisco Pereira da Silva morreu modestamente, esquecido da maioria de seus amigos e da gente de sua terra, no seu apartamento na Av. Ataulfo de Paiva, no Leblon, Rio de Janeiro, no dia 8 de abril de 1985, sendo enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier. Não há dúvida de que a obra de Francisco Pereira da Silva precisa ser redescoberta, levada à cena e debatida no Brasil. Grande parte de seus textos estão inéditos, e só com o conhecimento, o estudo de sua obra, vai-se descobrir e se entender melhor porque um autor que tanto dignificou a dramaturgia brasileira não atingiu o grande público. O feito de ter trazido Francisco Pereira da Silva ao conhecimento do povo piauiense foi de Tarciso Prado, iniciado no ano de 1978, e sedimentado em 1985, quando o autor foi homenageado pelo amigo com a realização da “Semana Chico Pereira”. Naquela “Semana”, com a realização de seminários, palestras e cursos, houve a montagem de dois episódios de “Raimunda, Raimunda” – “Raimunda Jovita na Roleta da Vida ou O Destino Quis Assim: De Pucella a Ninon”, montada pela Companhia de Drama e Comédias do Piauí, com direção de José da Providência, e “O Trágico Destino de Duas Raimundas ou Os Dois Amores de Lampião Antes de Maria Bonita e Só Agora Revelação”, montada pelo Grupo Harém de Teatro, com direção de Arimatan Martins. Na realidade, foi com esta última peça que nasceu o Grupo Harém de Teatro. A “Semana Chico Pereira” teve grande repercussão e possibilitou o resgate da obra dele para os piauienses, pois foi a partir desse resgate que o Grupo Harém de Teatro montou mais dois espetáculos do autor, sendo “Raimunda Pinto, Sim Senhor!” e “O Vaso Suspirado”. Duas montagens piauienses que mostraram em festivais realizados pelo Brasil a grandeza da moderna dramaturgia de Pereira da Silva. Sobre Francisco Pereira da Silva e sua obra manifestaram-se as seguintes personalidades da arte e da cultura brasileira: O jornalista e escritor Paulo Francis: “É um dos muitos talentos desperdiçados no Brasil, pela falta de um meio ambiente, da irrigação cultural que permitiria que crescesse. À parte isso, é um homem educadíssimo, gentil, de sensibilidade à flor da pele, ou seja, “inadequado” à brutalidade na luta pela subida ao pau de sebo. Ele, outro amigo, Anísio Medeiros, pintor, cenógrafo de talento, personalidade forte e crítica, e eu, passamos muitas horas de papos, e então aprendi muito dos dois. Como também me ensinaram (na medida do possível) a arte brasileira da convivência. Devo-lhe mais do que imaginam e do que não me dei conta na ocasião”. A escritora Raquel de Queiroz: “Nas peças do piauiense tem tudo que nos peça o coração. Uma força de legitimidade, ouro de lei na sua maior pureza... Um senso de poesia que é épico e lírico. E aquele bom gosto infalível. E no remate de tudo, nem trincando ele se afasta das exigências mais severas do teatro. O texto que dá é mesmo para espetáculo, matéria de declamação e cantoria, que só se realiza plenamente no palco, tal como precisa ser a literatura dramática, propriamente dita e entendida.” O ex-ministro Eduardo Portela, escritor e acadêmico: “ A arte vertical de Francisco Pereira da Silva não se contentou em promover uma simples restauração. Foi além: deixou fruir livremente o viver descontraído de um tempo contraditório. Daí a sua atualidade. Porque Francisco Pereira da Silva soube armar um perfeito contraponto estilístico, bifurcado entre o idioma solene de uma época e a palavra generosa dos nossos dias”. Tarciso Prado, ator e diretor de teatro: “Francisco Pereira da Silva, um mestre da moderna dramaturgia brasileira, tem sido vítima de críticos mordazes que teimam em apontá-lo como regionalista, com deliberada intenção de macular sua obra. Essa tese, diante da evidente superioridade formal de Chico Pereira da Silva, é inócua. Quem já estudou, criteriosamente, os trabalhos desse piauiense, há de pelo menos ter descoberto, além da exuberância literária tão própria do seu talento de escritor, uma linguagem intencional ou subjetiva que dá à sua criação uma indiscutível universalidade. Francisco de Assis Barbosa, escritor e crítico, prefaciador de peças publicadas de Chico Pereira: “São poucos, raros, os escritores que se entregam a uma trabalho de criação como fez Francisco Pereira da Silva, com ciência e consciência do que tinha a realizar pela frente. Ele se preparou para a tarefa, estudou, pesquisou, munido de paciência e humildade. E, com seu talento de escritor, decidiu-se a transfigurar em obra de arte os problemas de sua terra e os sofrimentos de seu povo, terra e povo com que se acha plenamente identificado. Sua obra é constituída com admirável coerência, perícia artesanal e singular beleza plástica”.

BIOGRAFIA DOS AUTORES:

ACI CAMPELO (Francisco Aci Gomes Campelo), dramaturgo e escritor. Natural de Lago da Pedra, Maranhão, nascido a 5 de agosto de 1955. Autor, entre outras peças, de “Soy Loco Por Ti”, “Às Margens do Jenipapo, “Auto do Corisco”, “A Menina e o Boizinho” e “Uma Estrela”. Escreveu também um ensaio histórico: “O Novo Perfil do Teatro Piauiense”.

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA, natural de Francisco Santos, Piauí, poeta e escritor, editor da revista “Cirandinha”, escreveu mais de 20 livros entre publicados e inéditos, destacando, “Viragens”, poemas, 2001, Rio, e “Literatura do Piauí”, a sair ainda este ano.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

GOVERNADOR VISTORIA OBRAS NO INTERIOR


A pretexto de entregar uma cópia da lei que criou em 2005 o Memorial Francisco Pereira da Silva em Campo Maior, fazendo minhas as mãos do deputado Paulo Martins, que foi quem de fato entregou o documento ao chefe do governo piauiense, aceitei convite de meu amigo Gilberto Alves, para acompanhar a comitiva do governador Wellington Dias, que veio a Campo Maior e municípios vizinhos vistoriar obras do governo do Estado do Piauí, que estão em andamento. Pegamos a BR-343 até à Fazenda Santo Antonio, de propriedade do empresário Valter Alencar, onde tem um campo de pouso em que o avião do governo do estado aterrisou. Enquanto o avião não chegava, tirei foto do campo de pouso da cabeça do meu amigo Chico Hispo, sem que ele percebesse... Gilberto, vendo a foto, sugeriu a seu dileto amigo se esconder numa moita ali por perto, pra não confundir o piloto da aeronave. Recepcionado o governador e comitiva, pegamos novamente a estrada, agora no sentido sul-norte, para os municípios de Boa Hora e Boqueirão, antigos povoados de Campo Maior , emancipados politicamente há uns quinze anos. Registramos em fotos momentos em que o governador vistoria obras Posto de Saúde, Colégio e casas com eletricidade recém-instalada, pelo programa federal Luz para Todos, em parceria com o estado. A principal obra vistoriada foi a estrada de asfalto ligando a BR aos municípios de Boa Hora e Boqueirão. Na praça principal do município de Boqueirão, uim palanque em que deitou-se falação por umas duas horas seguidas, sob um sol de 45 a 50 graus, onde tive o enorme prazer de reencontrar minha amiga Meire Chaves.

domingo, 20 de setembro de 2009

CONTINUAM OS PROBLEMAS...

Meus amigos, ainda não estou conseguindo postar matérias no blog, mas uma hora a gente arruma o computador e volta tudo ao normal, esta semana, espero.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

TIROTEIO NA ESQUINA DA FAMA

Esquina da Fama, no cruzamento da Av. José Paulino e Praça Luiz Miradanda (Praça da Prefeitura) me lembra muito meu inesquecível amigo Marreca, por isso não gosto muito de aparecer por lá. Ontem o tédio era tanto que encostei e fiquei alguns minutos escutando as conversas. Lá pelas tantas vi o resultado das matérias que a rede Globo botou no ar o dia todo sobre o assalto na casa de um executivo na região dos Jardins da capital Paulistana. Crucificaram os bandidos, cada um contou uma história onde o final era uma sentença de morte a bandidos, principalmente estrupadores e pedófilos. Eu inutilmente tentando argumentar que existe um ordenamento legal no país que pode cuidar disso (Estado de Direito), que achar que fazer justiça com as próprias mãos é o que falta para o país entrar nos eixos e imaginar que o caos e a barbárie podem trazer de volta a era do canganço, onde a ausência do estado fazia cada um criar suas próprias leis. Defender esse tipo de idéia é malhar em ferro frio. Lá pelas tantas alguém falou de manifestação de um pastor em Teresina contra os homossexuais. Lá vou eu defender os gays. Quando saí disse que não voltaria lá sempre, só pra defender gente ruim, como disse um dos mais assiduos frequentadores do pedaço.

Foto: Agência "Estado"

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

POLITIQUICE X POLITICAGEM


Os fatos desmontaram a falsa polêmica em torno da construção da penitenciária de alta segurança que seria erguida na cidade ao lado do que restou do antigo Frigorífico do Piauí (Fripisa). Não existe intenção nenhuma, da parte do governo estadual ou federal, como se andou propalando pela cidade, de construir a tal penitenciária. É o que apurou o editor do jornal Destak, Pedro Cavalcanti, que fez a investigação jornalística isenta e imparcial sobre o que existia de fato sobre a questão. O que existe de concreto é a intenção do governo estadual de, com recursos federais, construir um anexo das dependências de custódia das delegacias da cidade, que já são insuficientes para alojar pessoas presas provisoriamente, acusadas de crimes como roubo, furtos, tráfico de drogas e até homicídio.
A temperatura política da cidade, às voltas com um desfecho que se prolonga em razão do pronunciamento da Justiça Eleitoral sobre o pedido de cassação do Prefeito João Félix Andrade, em dois processos movidos pelo vereador Fernando Miranda e deputado Paulo Martins, o primeiro com julgamento do acolhimento da denuncia pelo TSE em Brasília, adiado e responsável pela politização, pela partidarização, pela eleitorização de um fato meramente administrativo, tornado pela emocionalização artificial de massas influenciáveis, movidas pelo desejo de se posicionar políticamente por interesses meramente ocasionais, um factóide capaz de arrancar as pessoas do marasmo, pela macaqueação do que diz a grande mídia quando cobre fatos semelhantes acontecidos num passado recente.
A falsa celeuma não deixou, porém, de ter seu aspecto positivo, porque na discussão ficou evidente que é muito fácil jogar emocionalmente com as pessoa sobre os riscos de se morar ao lado de uma penitenciária de segurança máxima, como se isso fosse mais perigoso do que conviver com todo tipo de criminoso que age na sombra do poder para usar mau recursos públicos desviados de suas finalidades para enriquecimento pessoal ou de grupos, por exemplo. Desde que aqui cheguei ou voltei me deparo com uma bizarra situação onde as pessoas me falam de duas situações onde existem dois personagens, digamos assim: um que eu chamaria de MEU LADRÃO, outro que eu chamaria de LADRÃO DOS OUTROS. MEU LADRÃO, explico didaticamente, nem ladrão é. Já o LADRÃO DOS OUTROS... Esse é LADRÃO, CORRUPTO, ENRIQUECEU ÁS CUSTAS DE CORRUPÇÃO e por aí vai. O MEU LADRÃO, é meu amigo, devo favores a ele, é meu aliado, gente fina, passa por mim e me cumprimenta.
O medo inconsciente de que MEU LADRÃO, coitado, seja trancafiado numa penitenciária de segurança máxima está por trás, certamente, do medo que as pessoas têm de que BANDIDOS DE ALTA PERICULOSIDADE, como Fernandinho Beira Mar, Elias Maluco, Marcola, etc.façam companhia a ele. Isso seria o fim do mundo, o fim da ilusão de que a lei que existe pra punir o ladrão de galinha não seja a mesma que não pune o criminoso de colarinho branco, seu doutor formado nisso e naquilo, que até na hora de ser preso, tadinho, precisa de uma cela especial onde possa ficar ao abrigo de psicopatas de todo calibre.
UMA SOCIEDADE QUE VIVE ILUDIDA DE QUE É JUSTA PORQUE NA HORA DE CONSTRUIR UM PRESÍDIO DE SEGURANÇA MÁXIMA EU POSSO SAIR NA RUA EMPUNHANDO UMA BANDEIRA CONTRA A FAVOR DA CONSTRUÇÃO DELA, É MAIS ENFERMA DO QUE IMAGINA, PORQUE MAIS IMPORTANTE DO QUE CONSTRUIR OU NÃO UMA PENITENCIÁRIA DE MÁXIMA SEGURANÇA, É CONSTRUIR UM SISTEMA ONDE A JUSTIÇA QUE TARDA E FALHA, NÃO SABE COMO PRENDER OS VERDADEIROS CRIMINOSOS. PODE TER CRIME MAIOR DO QUE SE DESVIAR DINHEIRO DA MERENDA ESCOLAR DAS ESCOLAS PÚBLICAS? E ONDE É QUE ESTÃO OS RESPONSÁBVEIS POR ESSE TIPO DE SITUAÇÃO? NUMA PENITENCIÁRIA DE SEGURANÇA MÁXIMA? DE QUE ME ADIANTA EU MOSTRAR CRIANÇAS COM FOME PORQUE DESVIARAM O DINHEIRO DA MERENDA ESCOLAR, SE EU NÃO MOSTRO ONDE ESTÃO OS CRIMINOSOS POR TRÁS DISSO, LIVRES, LEVES E SOLTOS ANDANDO POR AÍ? (ZAN)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

AS OFICINAS DO ANTONIO AMARAL EM CAMPO MAIOR


Dou as últimas pinceladas num projeto para a Fundação Cultural Professora Ludetana Araújo, cujo presidente é meu amigo Edilson da Costa Araújo, para o Edital de Pontões de Cultura do Minc, em que estão incluídas oficinas de Historia em Quadrinhos, Pintura e Ilustração Digital, a serem dadas pelo meu amigo e gênio Antônio de Pádua Amaral. Estive ontem com ele em Teresina e na ocasião me deu um exemplar de um livro que ainda nem foi lançado oficialmente. A ilustração acima está na última página do livro. Se tudo der certo, em outubro sai o resultado do Edital, Campo Maior vai finalmente, talvez ano que vem, conhecer a arte fantástica do Amaral, em exposição e oficinas. O livro do Amaral é de se ler e olhar e depois ter pesadelo: tudo se passa num tempo em que estão misturados ficção científica, espaços futuristas, seres disforme (lembram ludicamente um bípede que se desloca ou flutua sob um vazio, mistura de máquina e robô hominídio, sei lá.... sei lá é reconhecimento de ignorância mesmo...) Li/olhei ontem quando vinha num ônibus de Teresina ouvindo um papo aborrecente de duas ninfetas conversando alto sobre aulas de química e biologia, primeira comunhão, namorados, perder um domingo indo à igreja... Ainda vou levar um tempo pra me acostumar com gente conversando alto em local público tipo ônibus...

domingo, 30 de agosto de 2009

ELEIÇÃO "AMEAÇA" TER UM DESFECHO...

Esta terça-feira ameaça por por terra uma das versões que as facções políticas que disputaram as últimas eleições municipais na cidade, tentam passar na cidade. Petistas e pêpessitas dizem que 1, o julgamento pode ser o fim do mandato do Prefeito João Félix à frente da Prefeitura e haveria a hipótese de novas eleições ou assunção do candidato derrotado nas urnas, ou 2, o recurso, acolhido pelo TSE, voltaria às primeira e segunda instâncias, sendo finalmente julgado pelo TSE. É o que eu tenho ouvido aqui de pessoas de um lado ou de outro. Até onde cada um diz a verdade, vai-se saber nesta terça-feira.

domingo, 23 de agosto de 2009

TIROTEIO POLÍTICO AMEAÇA O SAMU...

Enquanto os políticos brigam para provar que o adversário é o responsável pela ameaça de fechamento do Posto do Samu na cidade, a Prefeitura dizendo que os governos estaduais e federais não fizeram os repasses que ficaram de fazer e está sem condições de manter funcionando o posto por falta de recursos, o governo do estado em nota afirma que a Prefeitura é que não teria cumprido com os requisitos para receber os repasses dos governos estadual e federal. Leia o que os portais e a imprensa escrita, televisada e irradiada tem dito sobre o assunto e tire sua conclusão. Já tiramos a nossa: um dos entes federados envolvidos na questão mente ou falta com a verdade com relação ao problema...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

PROBLEMAS, PROBLEMAS, PROBLEMAS...

Amigos visitadores, meu computador não está conseguindo fazer o trabalho de postagem de imagens para os textos que estou produzindo. Vou tentar "limpar" a máquina e vê se o problema é esse...

domingo, 9 de agosto de 2009

CAMPO MAIOR E SEUS ARTISTAS, UM MOTIVO PARA COMEMORAR O ANIVERSÁRIO...

NOSSOS HINOS – NOSSOS CANTOS

Elmar Carvalho

No CD Nossos Cantos, Nossos Hinos, cuja belíssima capa é do exímio artista plástico João de Deus Netto, Corinto Brazil se houve com maestria, revelando-se um regente de primeira grandeza, tanto na escolha do repertório, como nos arranjos notáveis que fez, e que emprestaram mais beleza e encanto às músicas que integram o disco. Corinto, que é um compositor e instrumentista de alta qualidade, impõe-se, agora, à nossa admiração como um maestro que soube extrair da Banda de Música Municipal Honório Bona Neto o máximo que ela poderia ofertar, motivando e treinando os músicos, de forma que eles atingissem um elevado nível, digno das melhores bandas de sopro. O coral também se apresenta no CD c om todo brilhantismo possível.
Esse CD retirou do esquecimento preciosidades do acervo musical campomaiorense, pois composições que marcaram época, como as valsas “Quanto dói uma ausência” e “A última filha” do major Honório Bona Neto, jaziam em total esquecimento. Reginaldo Gonçalves de Lima, no livro Geração Campo Maior, assinala que o músico, escritor e jornalista José Lopes dos Santos escreveu que, se esse ilustre campomaiorense tivesse nascido numa grande cidade, “a história pátria consignaria o nome de Honório Bona Neto entre os seus maiores compositores e instrumentistas”. Era o major Honório, literalmente, um homem de sete instrumentos, porquanto tocava vários instrumentos musicais. Essas duas valsas, encantadoras e melodiosas, sem dúvida poderiam figurar no cancioneiro nacional, ao lado de célebres composições desse gênero musical.
Aliás, é de se desejar que Corinto, com a ajuda dos campomaiorenses e do poder público, possa, numa segunda etapa, fazer um CD, inclusive com partitura, de preferência, das principais músicas do ilustre compositor Honório Bona Neto, cujas valsas, em determinada época, figuravam no repertório de várias filarmônicas do Piauí. Cabe, aqui, ressaltar que muitas peças musicais do maestro Velho Fabiano, de Batalha, e do genial Possidônio Queiroz, de Oeiras, foram resgatas através de maravilhosos CDs, que as imortalizarão, que farão com que a posteridade venha a conhecer as belas obras musicais legadas pelos nossos antepassados.
Corinto, através de engenhosos arranjos, fez com que o Hino de Campo Maior, de autoria da professora Valmira Napoleão Ibiapina, atingisse uma cintilação toda especial, o que também aconteceu em relação a outras composições, inclusive os excelentes hinos do Caiçara e do Comercial, compostos pelo caiçarino França Gomes, ambas do mesmo nível, agindo o compositor com invejável imparcialidade e profissionalismo. Essas duas composições futebolísticas nada ficam a dever aos hinos dos grandes clubes esportivos do Brasil. O dobrado Heróis do Jenipapo é uma composição de muita riqueza melódica, quase contendo, por assim dizer, micro melodias, que se encadeiam e se ajustam com perfeição, adquirindo, em certos momentos, timbres de música erudita, atingindo patamares melódicos de verdade ira sublimidade.
Recordo que o maestro Honório Bona Neto foi quem deu o poético e sugestivo nome de Zona Planetária ao prostíbulo da Rua Santo Antônio, em que cada cabaré ostentava o nome e a imagem de um planeta. Essa zona meretrícia, em sua singularidade, marcou época, sobretudo no apogeu da pecuária e da cera de carnaúba, quando meretrizes eram “importadas” de outros Estados, graças ao dinheiro dos coronéis do gado e da carnaúba.
Por último, para encerrar esta breve nota sobre o brilhante resgate musical efetuado pelo CD Nossos Hinos, Nossos Cantos, graças ao esforço e competência do regente Corinto Brazil, coadjuvado pelos excelentes instrumentistas e participantes do coral, estampo abaixo a minha homenagem à Lira de Santo Antônio e ao seu incentivador e benfeitor Antônio Bona Neto, o saudoso Antônio Músico:


CROMOS DE CAMPO MAIOR

Elmar Carvalho

VI

Festejo de
Santo Antônio do Surubim:
sob as estrelas do céu
sob as estrelas de lágrimas da pirotécnica
foguetes estilhaçam ruídos e silêncios
enquanto a bandinha do Antônio Músico
ataca com o (dobrado) Capitão Caçula
a fil(h)armônica do Antônio Músico
toca a valsa Coração Magoado
da autoria de seu pai
– Major Honório Bona Neto.
A bandinha do Antônio Músico
deflagra lentas valsas
lânguidos boleros
lépidas marchas
sob a batuta batuta
do seu filho Antônio Francisco
– maestro excepcional –
em sua cadei(a)ra de rodas.

sábado, 8 de agosto de 2009

EDMAR DAS ÉGUAS : EITA MUNDÃO D’ÁGUA... MAS EU AINDA PREFIRO AS ÉGUAS, MERMO...

A inauguração do balneário dos Corredores, um investimento de 600 mil reais do Governo do Estado do Piauí, foi uma maravilha, a coisa é realmente fantástica, de encher os olhos, mas chegar lá depois de dezessete quilômetros de poeira, não é moleza... Pra quem foi de Hylux cabine-dupla (me amarrei nesse fetiche, caras...), ar condicionado, foi melhor ainda... Na verdade, fui numa F-l000 sem ar condicionado e tendo de fechar e abrir os vidros quando chegava perto da poeira do carro que ia na frente. Na volta foi mais cristã, peguei carona com uns amigos do Gilberto Alves, com ar condicionado e tudo o que não tinha direito. Não prestei muita atenção a nada porque fui envolvido numa roda de amigos em que pontificava a figura folclorérrima de um cidadão que eu conhecia de vista e lembranças antigas, chamado Edmar das Éguas. Era o ex-prefeito e ex-deputado César Melo, o meu ex-colega de BB Clemilton Ibiapina e o meu novo amigo vereador Fernando Gomes, do PT, que me serviu inocentemente uma dose de cachaça Mangueira. Basta olhar pro Edmar das Éguas pra rir, é o que todo mundo que se aproximava, fazia. Eu só registrei a cena. No palanque oficial a tônica dos discurso foram as promessas de verbas para construção da estrada de asfalto ligando a estrada de Castelo ao balneário. As pragas dos adversário do governador foram tão intensas que a caixa d’água do balneário foi ao chão ontem ou ante-ontem. Ô raça!!! (Se deliciem só com o texto porque as fotos com Edmar das Éguas e admiradores, com a lentidão da internet daqui, só daqui a uns dias...)

sábado, 1 de agosto de 2009

PARABÉNS, NOSSA SENHORA DE NAZARÉ!!!



Assisti à abertura do I Festival Cultural de N. S. de Nazaré e fiquei entusiasmado com o que vi. Desde menino, nos anos 50, quando ia passar férias na casa de um tio que tinha um sítio na zona rural do povoado, com moagem de cana, fabricação de tapioca e beiju, conheço o povoado que virou uma cidade super arrumadinha. Minha mãe ficava feliz quando me via voltar das férias com algumas gramas a mais no esquálido físico de garoto magrela, por conta das garapadas, rapaduras, melados e tapiocas e bejus que o pessoal do meu tio Cícero Lopes, na sua Varões (que tem hoje como proprietário um filho seu, o mais velho deles, um cara que morou uma vida no Rio de Janeiro, voltou pra lá e tem família e criação de bodes e cabras e crianças..., grande Antonio Miranda e sua simpática esposa), me fazia comer e lamber os beiços (era menino fastioso de dá pena...) Bom, volto lá hoje e encontro uma cidade em festa, a praça principal iluminada e um sorriso enorme no rosto da Prefeita Luciene Silva, que é campomaiorense filha de um conhecido dos tempos em que existia ali na rua sen. José Euzébio, em frente à casa onde morei, a agência Cruz, o inesquecível José Quirino, figurinha doce e solícita, muito amiga de meu pai e minha família. A Prefeita me recebe com muito carinho e me propõe o desafio de montar um espetáculo teatral que conta a história do povoado que virou cidade e de Nossa Senhora de Nazaré, para os próximos festejos em outubro. Coroando a noite, fiquei maravilhado com o espetáculo do Balé da Cidade de Teresina, que ainda não conhecia. Há muito tempo não via um espetáculo de dança tão emocionante e engraçado. O público que arrodeava o palco vibrou com os jovens bailarinos. Eu fiquei fã de cara do grupo. Não é à toa que ganham prêmios em todos os festivais de que participam. Infelizmente o pessoal que foi comigo pra Nazaré não quis esticar até o fim da noite. Hoje vou ver se consigo ir com alguém menos preocupado em voltar pra casa mais cedo... Amanhã conto mais o que ver de interessante no I Festival Cultural de Nossa Senhora de Nazaré.

“PAGA A GENTE, SEU PREFEITO...”

Vou andando pelas calçadas da rua Demerval Lobão e sou atraído pela multidão animada por um carro de som que grita aos quatro cantos:”Paga a gente, seu Prefeito...”, com faixas e palavras de ordem ameaçando greve geral para os próximos dias... Pensei que era outra coisa. São funcionários da Prefeitura de Cocal de Telha, reclamando que não recebem salário há uns seis meses. Se não me engano, o Prefeito de lá, Zé Salu, fazia parte da mesa no encontro Regional do Partido Socialista Brasileiro, acontecido aqui há um mes... Gente, pega mau partido de esquerda não honrar compromissos assumidos com funcionalismo, pega mau, muito mau...

O CAIÇARA INVESTE NO FUTURO... O COMERCIAL, “SÓ EM JANEIRO...”

Se não fosse a minha condição de filho de um dos fundadores do Caiçara e dos amigos que apesar da rivalidade, me convidaram para registrar para o blog o canteiro de obras que virou a sede do “Leão de Campo Maior”, tudo fruto de esforço de caiçarinos de ontem, como Luizinho Godô, Zeca e Gilberto Alves e de hoje, como o deputado estadual Paulo Martins, eu teria me sentido como um estranho no ninho em meio à euforia estampada no rosto de cada um que via se erguerem as estruturas de uma quadra de futsal, basquete e vôlei, as arquibancadas de um campo de futebol gramado, dependências da sede administrativa, etc, tudo isso na sede na BR-343, na manhã da última quinta-feira. Foi emocionante registrar em fotos figuras mitológicas da história do clube, como Geraldo Pucuta e Birro Velho. Parabéns, caiçarinos, pelo investimento que fazem no futuro do clube, com previsão de inauguração para setembro próximo. É por aí... Na véspera, tinha encontrado na rua o incansável presidente do Comercial Flávio Bona e perguntado pelo nosso time e tive como resposta um lacônico “agora, só em janeiro...” Digo sem querer ferir os brios, e já ferindo, dos comercialinos de ontem e de hoje, que não é por aí, clube que se preze não pode funcionar quatro meses por ano... É hora de por os pés nos chão e repensar os destinos do clube, que tem uma sede tão boa quanto a que o Caiçara está construindo... Há no meio da torcida do azulão, a sensação de que todo o investimento que foi feito para o clube ter participado do Campeonato Piauiense, foi inútil, manteve-se um plantel caro e que não conseguiu se classificar ao menos para as finais. O Caiçara pretende utilizar as dependências que está construindo para investir na formação de equipe em divisões de base, aproveitando os jogadores que se destacam no Campeonato Amador da cidade para formar uma equipe barata e promissora. Se o Comercial não fizer o mesmo, vai ficar na eterna dependência de ajuda que não constrói muito para o futuro.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

N. Sa. de NAZARÉ É CULTURA


Estarei lá hoje na abertura do Festival e conto tudo o que vai acontecer nos próximos quatro dias.

terça-feira, 28 de julho de 2009

COMO ATIRAR EM SARNEY E TENTAR ACERTAR LULA E DILMA

Gente, vamos parar com essa babaquice de ficar levando a sério a campanha que a direita vem fazendo pra tentar derrubar o “presidente” Sarney... Claro que o alvo disso é Lula e Dilma, principalmente Dilma. Só que não cola, porque Lula e Dilma não são Sarney, entenderam? Perguntas geniais e respostas idiotas: por que Lula insiste em defender Sarney? Por que são aliados, amigos políticos? Mas como é que pode, se Lula não é Sarney? Resposta tão simples de idiota: Lula não é Sarney... Quem não entendeu isso não entendeu nada... O gênio político de Garanhuns quando diz que é preciso levar em conta a biografia de Sarney, ele quer dizer exatamente isso. Eu diria ainda mais, só pra confundir tudo mais ainda: e a biografia de quem acusa Sarney de nepotismo, tráfico de influência, ou otras cositas mas? Isso não tem nada a ver com coisa nenhuma, né mesmo?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O POVO SE ORGANIZA PARA PARTICIPAR DE FATO

Ao invés de sair atrás de prefeitos e políticos pedindo favores individuais, o povo das periferias da cidade se organiza e promove um I Congresso Municipal das Associações de Moradores de Campo Maior, feito pela União Municipal das Associações de Moradores de Campo Maior (UMAM). O evento foi aberto na sexta feira, dia 24, na sede da AUCAM, com a presença de políticos (vereadores Bibi, professor Ribinha e deputado estadual Paulo Martins), lideranças comunitárias, professores e o povo em geral. Dia 25 ocorreram os debates sobre Segurança Pública, Violência contra a mulher, Escola Comunidade e Habitação. Estive na abertura e durante os debates e entrevistei uma líder comunitária, Chaguinhas, presidente da UMAM, que falou do movimento de associações comunitárias em Campo Maior. CHAGUINHAS não é campomaiorense, nasceu em Castelo do Piauí, mas mora na cidade há dez anos, é estudante, trabalha com vendas, há cinco milita no movimento comunitário local, há dois no movimento estadual e nacional, se motiva com os desafios que enfrenta e acredita que só se unindo em associações o povo consegue o que quer, enquanto coletividade.
ZAN – Quantas associações de moradores existem na cidade que são filiadas à UMAM?
CHAGUINHAS – Bom, filiadas, regulares, nós temos na faixa de doze entidades, mas nós sabemos da existência de vinte e duas associações na cidade, mas a maioria em situação irregular. Estamos aí numa luta de mais de dois anos junto com a FAMEPI (Federação das Associações de Moradores do Estado do Piauí), para regularizar todas essas entidades, para que elas sejam representadas de fato e de direito.
ZAN - Quais são as principais demandas e reivindicações dessas associações?
CHAGUINHAS – As principais demandas e reivindicações são a questão do saneamento básico, a questão da moradia em Campo Maior, que é uma questão ainda muito discutida, e ainda a questão do orçamento público, que ainda não é discutido com a sociedade organizada em Campo Maior.
ZAN – A UMAM recebe algum tipo de apoio institucional, de órgãos dos governos, de ongs?
CHAGUINHAS – Nós temos tido o apoio da FAMEPI e da CONAM, que é a Confederação Nacional de Associações de Moradores, que nos têm dado todo o apoio para a criação de associações de moradores e para a existência da UMAM.
ZAN – Quais foram as principais ações e conquistas realizadas pela entidade que a senhora preside
CHAGUINHAS – Eu diria que já tivemos muitas ações e conquistas, que foram grandes, mas a mais importante foi a da moradia, a questão do Conjunto Renascer que foi uma briga aí que a gente comprou junto com a população, que a gente teve muitos ganhos, e tem outra que é a questão do PPA, Plano Plurianual e a questão do lado social, do Bolsa Família, para que esse benefício seja dado a pessoas que realmente sejam necessitadas, ao contrário do que acontece, quando o Bolsa Família vem sendo dado para pessoas que não têm necessidade.
ZAN – Qual a expectativa da UMAM com relação a este Congresso que vocês estão realizando?
CHAGUINHAS – A melhor possível, porque a gente acha que participando deste tipo de eventos, nós encontramos o jeito certo de discutir e encaminhar nossas reivindicações, para fortalecer nosso movimento a nível local, estadual e nacional.
PROPOSTAS APROVADAS NO I CONGRESSO DA UMAM
1 - Lutar pela criação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
2 - Exigir dos gonvernantes a implementação de programas e projetos voltados para a mulher, nos mais diversos órgãos da administração pública.
3 - Promover cursos de reciclagem para multiplicadores de cada uma das entidades filiadas à UMAM.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

FERNANDO GOMES:”A POLUIÇÃO DO AÇUDE GRANDE É UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA


Fernando Gomes é um nome que surgiu e se destacou em pouco tempo, em apenas um ano de mandato como vereador de Parnaíba, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), se apresenta como das mais promissores nomes da nova política do Piauí. Formado em Ciências Sociais pela Ufpi, com pós graduação em Gestão Ambiental, funcionário de carreira do Ibama, tem estudos publicados sobre a poluição do Açude Grande, fala disso com toda a franqueza e tranqüilidade, chamando todo mundo à responsabilidade sobre a situação crítica do nosso maior patrimônio natural.
Zan – Vereador eu queria que o senhor falasse sobre o problema da poluição no Açude Grande; o senhor tem um trabalho em focaliza a questão; fala-se que existe um projeto de dois milhões de reais para a despoluição do Açude, mas não se consegue saber mais detalhes sobre esse projeto. Qual a situação da poluição do Açude Grande e o que é que o senhor sabe sobre esse projeto?
Fernando Gomes – Em 2001, acho que ali foi o despertar desse trabalho no sentido de envolver a comunidade para a preservação e conservação do Açude Grande, de Campo Maior. Eu participei de um seminário sobre o avanço das dunas e preservação dos manguezais em Parnaíba e dali eu sai achando que era necessário e urgente que nós fizéssemos aqui um trabalho com vistas à despoluição do Açude Grande. Ao retornar tivemos um contato dentro do Ibama e ali nasceu a idéia de realizar um grande encontro onde toda a comunidade científica, os estudantes e a população em geral se sentasse à mesa para discutir essa realidade e ver o que de fato poderia ser feito. Nós realizamos o I Seminário de Conservação e Preservação do Açude Grande. Foi um evento grandioso, ali tivemos a participação das autoridades, nós conseguimos através do Ibama trazer especialista de várias áreas e envolvendo especialmente a comunidade estudantil, passamos dois dias ali no Iate Clube, local do evento, onde nós discutimos a questão de saneamento básico, a questão da arborização, um plano para o desenvolvimento do turismo local, propostas de educação ambiental, enfim, nós tiramos alguns encaminhamentos e algumas realizações foram feitas a partir desse seminário. Eu diria que hoje os nossos administradores, eles tiveram uma visão de que ali é um patrimônio extremamente importante para o campomaiorense, tanto no que toca na alma quando se fala do açude, e alguns que não têm verdadeiramente o compromisso com a sociedade, começaram a verificar que ali seria um filão. Antes se olhava para o terminal rodoviário de Campo Maior e ali todo administrador deixou a sua marca de tinta, que era uma forma de você fazer uma reforma e dali ter algum resultado financeiro dessa obra. Agora se voltam os olhos para o Açude Grande, muitos administradores já passaram aqui e defendem projetos de despoluição, que se sabe que envolve uma quantidade muito grande de recursos, mas que eu diria que tem uma proposta que precisa ser trabalhada urgentemente e que foi iniciada no início da década de 90 e que não houve uma continuidade e essa aí qualquer gestor público sem que haja uma necessidade de tantos recursos. Eu falo de uma proposta educativa, de envolvimento da sociedade, porque o Açude, ao longo de sua história, que até chegar a esses níveis atuais de poluição, mas boa parte dessa poluição, foi concorrida pela própria população. Nós só temos dois esgotos de águas pluviais que caem para o nosso açude, é um que fica ali na rua Dr. Moura e outro na rua Ovídio Bona e o que ocorre é que várias residências lançaram ligações clandestinas, inclusive de fossas sanitárias. Então, hoje, com certeza, ainda que não se tenha uma análise bacteriológica, os níveis de colifórrmios fecais são altíssimos. Eu recordo de um exame que conseguimos fazer pela aqui Universidade Federal do Piauí, que indicou um elevado índice de colifórmios cem vezes a mais do que o permitido para o contato direto, não seria para o consumo, mas o contato direto, por exemplo, para recreação, o que já valeria a interdição daquele açude até por uma questão de saúde pública. Mas o que eu quero colocar é que uma ação educativa é urgente e precisa ser trabalhada pelos gestores públicos locais para que as pessoas reduzam o volume de dejetos e lixo que é jogado ali. Muita gente ainda tem esse hábito de lavar animais, jogar lixo, lavar carros, então é preciso que se tenha um envolvimento maior e isso não se consegue da noite pro dia. Nós iniciamos esse processo com as escolas em Campo Maior em 91, 92, em 93 fizemos um grande plano de arborização para suas árvores, e lamentavelmente o próprio gestor não compreendeu e ele mesmo destruiu todo o trabalho, um esforço que foi comunitário mas que podemos ainda retomar. Eu apresentei alguns trabalhos em congressos pelo país afora, retratando esta realidade e a perspectiva de que a partir desse problema do Açude Grande nós poderíamos estar fazendo uma discussão maior sobre a problemática ambiental do município. Acho que isso aí foi o ponto maior do nosso trabalho, inclusive, recentemente eu escrevi um artigo, que foi intitulado “Aonde o Açude Grande pode nos levar”, que traz uma reflexão para os problemas ambientais e sociais decorrente dessa falta de gestão ambiental no nosso município.
Zan – Vereador, essas ligações clandestinas feitas nos escoadouros de águas pluviais, das chuvas, para o Açude, poderiam ser detectadas e fechadas?
Fernando Gomes – Verificar é muito fácil. Nós propusemos à época ao Prefeito Marcos Bona, que fizéssemos um trabalho de informação a todas as pessoas residentes nestas duas ruas, que tem esses esgotos de águas pluviais, que fizéssemos então a concretagem da boca desses dois esgotos, porque, claro, isso seria notificado na grande imprensa, passado nas emissoras de rádio, em carro volante de som, informando as pessoas dessas duas ruas que o poder público ia tomar essa decisão, dentro de um prazo determinado, talvez 30 dias, se fosse o suficiente, e que a partir daquela data vencida, a Prefeitura iria concretar a entrada desses dois esgotos, porque aí as pessoas que não tivessem feito o seu desligamento, a sua fossa iria estourar dentro de casa. É uma medida drástica mas não teria outra alternativa, porque simplesmente solicitando o desligamento por certo algumas pessoas não atenderiam, mas é importante dizer que só isso não seria suficiente, é lógico que outro problema sério ainda se tem do outro lado do Açude, que é o Hospital Regional de Campo Maior, que à época ainda lançava de forma muito cruel parte dos seus resíduos, inclusive nós registramos isso com o apoio da TV Rádio Clube, que fizemos um vídeo educativo mostrando essa realidade de poluição do nosso Açude, e que o Hospital de Campo Maior, ele concorria pra que aumentasse cada vez mais o volume uma vez que lixo hospitalar tem uma gravidade maior pelo fato de ser contagioso e infeccioso alguns desses dejetos e que isso estava sendo lançado na lagoa do Araím, que quando chove ainda traz uma parte dessa água para o Açude Grande, então de uma certa forma a lagoa do Araím, ela alimenta ainda o Açude Grande. Então é preciso que a gente busque encontrar quais são esses pontos de contaminação. Uma vez fechado esses pontos se passaria para um etapa seguinte que seria, cortada a entrada desses pontos de contaminação, a gente iria partir para a limpeza dessa área que já está contaminada.
Zan – Vereador, esses projetos de despoluição do Açude Grande, eles levam em conta essas informações que o senhor tem sobre a situação do Açude?
Fernando Gomes – É impressionante como não temos conhecimento desse projeto, já tentamos algumas vezes, porque eu acredito que pelo trabalho que tivemos desenvolvido, nós temos condições de dar uma contribuição, eu busquei já diversas vezes o Secretário de Meio Ambiente, ele diz que nem ele mesmo possui esse projeto, parece que é uma coisa feita a sete chaves e o que se sabe pela cidade é que há o projeto e que isso foi encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente, mas ninguém tem acesso, ninguém da Prefeitura, o Vice-Prefeito também já procurei para informar sobre o projeto, infelizmente não temos acesso, e não podemos ser levianos e fazer análise daquilo que não conhecemos. Independente disso, o que pode ser feito sem precisar de muito recursos é um trabalho de conscientização da população para a importância de não se continuar sacrificando essa fonte de recursos naturais e de beleza para a cidade.
Zan – Vereador, haveria a possibilidade de o governo federal ou estadual tomar a iniciativa de alguma ação efetiva no problema da poluição do Açude Grande, independente do que de concreto exista com relação à ação do Poder Municipal neste sentido?
Fernando Gomes – Hoje nós temos uma linha de financiamento para projetos de defesa ambiental em diversos setores, você encontra organismos privados que estão a financiar através de editais e o próprio governo federal, principalmente através do Programa Nacional de Defesa do Meio Ambiente (PNMA), que é um edital que está ligado ao Ministério do Meio Ambiente. O governo estadual por sua vez está estruturando a sua equipe que trabalha na questão ambiental, porque até pouco tempo não tínhamos Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que só agora neste governo do Governador Wellington Dias, é que se reativou, ainda no primeiro mandato, essa Secretaria. Foi criada recentemente uma Superintendência de Meio Ambiente, para coordenar as ações desses processos de defesa ambiental em todo o estado e quanto à perspectiva de se trabalhar aqui na defesa do Açude Grande, eu acredito que é possível se conseguir através do governo do Estado e também da União, emplacar um projeto na defesa do Açude, mas não podemos deixar de lado que sem o envolvimento direto do poder local, toda essa perspectiva terá dificuldade porque quem primeiro precisa se manifestar e correr atrás disso aí e abraçar é sim, a prefeitura municipal, que precisa não só correr atrás dos recursos para despoluir, mas principalmente em se envolver em ações de conscientização da população para que não contribua num processo futuro de volta da poluição, depois que for feita a despoluição do açude. A população precisa ser trabalhada constantemente no sentido da defesa ambiental.

terça-feira, 14 de julho de 2009

CAMPOMAIORENSE DE PIRACURUCA LANÇA REVISTA DE TURISMO

Conheci Dílson Trindade no ano de 1970, quando estivemos lado a lado no antigo jornal “A LUTA”, junto com aquela equipe que ainda bole por aí, uns mais velhos que os outros, uns mais acomodados que os outros: Ernane Napoleão, ZéMiranda Filho, Áurea Paz Portela, Jesus Araújo, Antonio Evandro Araújo, Teresinha Nascimento (quem me dá notícia dessa criatura!), Aurino Silva, ZéBranco e outros. O Dílson continua inquieto e sacudindo mais do que carroceria de carro véi (eu sei como é que se escreve certo, galera, sosseguem...) Empresário bem sucedido no ramo de hotelaria e gastronomia, está fazendo a revista por puro prazer. Encontramo-nos por aí quando cheguei por cá e já me aliciou pra ajudá-lo na empreitada. É piracuruquense de nascimento mas campomaiorense de coração. Quem viu a revista por dentro achou linda demais.O lançamento da revista foi ontem no Beliscão Grill, na Av. N. S. de Fátima e deu todo tipo de mídia. Ah, sim, o nome da revista: PIAUITUR, mensal, o segundo número já está na forma, sai no começo de agosto.

UM CAMPOMAIORENSE QUASE CARIOCA FALECEU NO DIA DO SANTO

Eu o conheci dois dias antes de sua morte, na companhia de meu amigo Luis Gonzaga de Morais. Gonzaguinha era compadre dele. Morava no Rio de Janeiro desde o final dos anos 40. Era filho do lendário Zeba Carneiro, o mais velho deles, do primeiro casamento, irmão do Luis, Maurício, Antonio, uma multidão de sobrinhos. Casado com uma fluminense, viveu como alfaiate esse tempo todo na antiga capital federal. Vinha todo ano ao festejo. Passou mau na missa de manhã, levado para o hospital lá chegou já sem vida. Enfarte fulminante. Comoção geral na cidade. Ontem fez trinta dias da morte do Laurito. O comentário que se fazia na cidade no dia do ocorrido era: se tivesse podido escolher o dia e o local de sua morte, teria morrido feliz e contente na sua terra natal e no meio de seus amigos e parentes. Aos 83 anos de idade. Viveu e combateu o bom combate, como diria São Paulo. O Criador o acolheu em seu seio. Era um homem bom e pacato. Era o que todos os que o conheceram me diziam.

sábado, 11 de julho de 2009

O MEMORIAL FRANCISCO PEREIRA DA SILVA EXISTE, NO PAPEL...

Encontro casualmente na porta do Teatro 4 de Setembro, quinta feira passada, o grande homem de teatro piauiense Tarciso Prado, ator, diretor, produtor, uma espécie de "mãe" do teatro contemporâneo do Piauí, que eu não via há uns cinco anos. Convida-me pra assistir a uma peça do pessoal da Escola de Teatro de Teresina. Conversamos até a hora do espetáculo. Na saída me dá uma cópia da Lei que criou o Memorial Francisco Pereira da Silva em Campo Maior, coisa que eu não sabia, e me encarrega de saber o que existe na cidade sobre isso. Digo-lhe que ouço falar alguma coisa desde que cheguei aqui em janeiro, mas nada de concreto. Fica aí o desafio, quem sabe alguma coisa? A lei é de maio de 2005. Será mais uma dessas coisas que não acontece aqui por causa das disputas políticas?

Antonio Amaral expõe em Portugal


O campomaiorense Antonio Amaral, que já conhecemos de uma entrevista que fiz com ele e está aí embaixo, no fim da página, me mandou o cartaz de sua exposição em Coimbra, Portugal. Reproduzo aí também o convite. Parabéns, Amaral, você é gênio.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Craques de todos os tamanhos e qualidades. Só faltou público...

ZéCosta (ao lado do filho):"Desde '58 não entro neste campo..."


Joãozinho e Nunes

Deputado Antonio Félix doido pra entrar em campo

Pra festa ser mais completa sou faltou gente pra assistir ao jogo. Assisti a toda a preliminar, um jogo entre anões do Pará e garotos do Peti Projovem. Demais. Pra mim o lance mais emocionante foi assistir e fotografar à entrada em campo do grande lateral esquerdo do Caiçara, Zé Costa, aos oitenta e um ano, duro como uma rocha. Flagrei o momento histórico. Do jogo principal só assisti aos primeiros quinze minutos porque tinha que ir pro lançamento do livro da Thais, reportado aí embaixo, quase no mesmo horário. O toque de bola dos véi do Flamengo me deixou com saudade de um bom jogo de bola. Belchior Netto, um dos organizadores do evento até hoje tá sem entender porque não foi quase ninguém ver o jogo. Não deu pra conferir se o Prefeito Joãozinho é bom de bola ou não. (ZAN)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ERA UMA VEZ UMA MENINA POETA...








...de apenas doze anos, já no seu quarto livro. Sábado passado, 4 de julho, lançou o livro Era uma vez... Os livros anteriores, de poesia e contos, foram Poesias, O anjinho e a alma chorona, Meu Mundo. Os pais (José Cláudio e Maria Gomes), os parentes, os amigos, prestigiaram o lançamento do livro de Thaís Carvalho Gomes de Carvalho, na Unidade Escolar Petrônio Portela, no bairro Cariri. Na mesma hora e local sua avó Raimunda Gomes apresentou seus quadros em exposição que encantou quem viu (confiram na reprodução de algumas telas). De parabéns a família Gomes, Da. Raimunda é mãe do vereador de Parnaíba Fernandes Gomes. Presentes o deputado Paulo Martins, o presidente da ACALE, João Alves Filho, Irmã Natividade, Lucimeire Medeiros, Avelina Rosa, Edilene Mota, Ricardo Reis, direto de Brasília, entre outras figuras do mundo cultural e político campomaiorense. De parabéns todo mundo que viu o despontar de mais esse talento na cidade. (ZAN)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

“E AMIGOS DE VERDADE FICAM PARA SEMRE EM NOSSOS CORAÇÕES...”

Andou por aqui em junho nos festejos um amigo que não via há uns bons trinta e tantos anos. Desses amigos que reencontramos através do blog Bitororocara. Antes de vir trocamos e-mail. Ele me dizia que viria porque queria me reencontrar depois de tantos anos. Trouxe consigo uma foto que eu já nem me lembrava mais que existia, de quando nos encontramos em São Paulo, capital, nos idos dos anos 70. Horácio é o nome dele, irmão do De Paula, velhos companheiros do sofrimento de fazer o saudoso jornal A LUTA, junto com Severo, Carioca, Milanês e quantos outros. Na última vez que nos vimos aqui me deu um texto escrito num papel, do qual transcrevo trechos onde fala de fatos que eu não me lembrava mais, como quando ele começou a trabalhar no jornal como gráfico.
“Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado nosso caminho.
Às vezes por ter me dado um minuto de sua atenção e me ouvido falar de minhas angústias.
E amigos de verdade ficam para sempre em nossos corações, assim como as pegadas na alma são indestrutíveis.
Nesse caminho cruzei com Zan e num momento de impulso lhe abordei na sua bicicleta ali próximo ao Mercado Velho.
Foi um impacto de improviso, pois meu objetivo era lhe pedir uma vaga para trabalhar no Jornal A Luta. Zeferino concordou em conversar comigo no dia seguinte lá na sede do jornal, seria o meu primeiro emprego na cidade. Fui para casa com essa expectativa.
Cheguei ao jornal ali na avenida José Paulino nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, logo depois chegou o Zan, cabisbaixo e coçando repetidas vezes os seus primeiros fios de barba branca, dirigiu-se ao canto da sala onde estava uma surrada e velha vassoura de palha de carnaúba que me entregou e disse:’comece por aqui varrendo a sala’... eu não me intimidei e obedeci a sua determinação.
Se naquele dia e momento eu tivesse ouvido um não, talvez fosse a minha maior decepção e frustração, tanto era o meu desejo de ingressar, talvez eu tivesse um dom natural de escrever e ler poesias e me admirava as matérias publicadas no jornal.
Guardo com gratidão e honradez esse gesto de atenção e bondade do Zan, ressaltando que na época do jornal A Luta, trabalhávamos com as ferramentas herdadas de Gutemberg, pois não tínhamos a tecnologia de BillGates.
Tínhamos sim, naquele jornal, muita energia de corpo e alma, coragem, diligência, zelo, ânimo, vigor, esforço individual e comprometeimento com a população local, cuja redação era composta por Totó Ribeiro, Octacílio Eulálio, Zeferino Alves Neto, Ernani Napoleão, Zé Branco, José Miranda Filho, Áurea Paz, Jesus Araújo, Jesus Paz, Teresinha Nascimento e tantos outros. Resumindo: adentrei-me no berço da cultura campomaiorense.
Caro Zan, é muito gratificante quando alguém não fale um Não e te dê uma oportunidade e com o passar dos anos, esse seu gesto de bondade ficou fixado na minha memória e na história do jornal A Luta.
Entendo que cada ser humano tenha o seu sentimento diferenciado e você fez a diferença a meu favor.
Se eu não tivesse ingressado no jornal ou ouvido uma negativa , talvez hoje, não tivesse aqui relatando essa pequena história real de vida e gratidão.
A minha última colaboração e empreitada pelo jornal A Luta, deu-se em janeiro de 1973, quando deixei a rua Cel. Eulálio Filho, antiga casa do Estudante, com profundas saudades e tristezas, dali para frente um futuro incerto e hoje sabido.
Caro Zan, a vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo. Lembre-se, caro Zan, ontem é história, amanhã é mistério e hoje é uma dádiva, por isso se chama PRESENTE”
Horácio,
Junho/2009.”

GRANDE HORÁCIO, VOCÊ ME DEU UMA FACADA NO PEITO, COMPANHEIRO...

Nesta foto que tiramos no Parque da Luz, em São Paulo, por volta de agosto de 1973, em que estamos além de mim e você, os conterrâneos Miguel Ribeiro, Carlos Amaral e Dora Ibiapina, quanta lembrança daqueles tristes anos de sofrimento naquele fim de mundo que era e é São Paulo, eu magérrimo, me recuperando de uma gripe de quase me leva pro túmulo (talvez não tenha morrido porque apareceu lá na quitinete em que dividíamos nossa saudade apareceu o Dora Ibiapina fazendo aqueles bolinhos de farinha com ovo que aos poucos me levantaram as forças pra que os remédios que eu tomava fizessem efeito...) Dora deve ta no céu com aquele seu jeitão tranqüilo e sorriso maroto de amigo e companheiro... Miguel e Carlos estão por aqui por perto. Você continua heroicamente resistindo em São Paulo. Cara, é impossível controlar as lágrimas enquanto digito este texto. Sinal de que ainda estamos vivos e viveremos por mais uns decênios, pelo menos... (ZAN)

domingo, 28 de junho de 2009

A SOLUÇÃO É BLOGAR, MEUS IRMÃOS...

"Sobrevivi a dois webdesigner, com essa cara..."

Quem ainda insiste em ir no Sitedozan, encontra lá um recado onde humildemente reconheço que fui incompetente no trato com essa figura chave no processo de fazer um site, que é o webdesigner e digo claramente que desisti temporariamente do site em função disso. Com a ajuda do meu irmãozinho Netto de Deus, ele mesmo, que dá conta de fazer três blogs (bitorocara, jenipaponews e picinez) estou aqui ocupando esse espaço onde segundo ele, é mais fácil para leigos nas artes informáticas, postarmos nossas matérias. Com a ajuda dele, e com um pouco mais de humildade, pretendo fazer aqui mais ou menos o que gostaria de fazer lá. Se vou conseguir isso, só o tempo dirá. Se depender do Netto, conseguirei, diz ele. Vamos nessa. (ZAN)

OS SOCIALISTA MOSTRAM SUAS ARMAS



Aconteceu no auditório da Secretaria Municipal de Educação da cidade, no sábado 27 deste mês o encontro regional do Partido Socialista do Brasil (PSB), com a presença do Presidente do Diretório Estadual do Partido, vice-governador Wilson Martins, deputada estadual Lilian Martins, ex-prefeito Marcos Bona, deputado estadual Wilson Brandão, prefeitos e vereadores de municípios vizinhos, representantes de outros partidos de esquerda, entre eles o deputado Paulo Martins do PT de Campo Maior e militantes. A palavra de ordem foi o apoio à decisão de acatar o que for decidido sobre candidaturas ao governo estadual e federal, que atendam aos interesses de todos os partidos da base aliada.
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